O trecho do filme “Trading Places” (Trocando as Bolas) evidencia bem o assunto que trataremos aqui: Aprender Inglês muitas vezes exige simples aceitação. Um dos pré-requisitos para isso é desprender-se da língua materna. Um aluno, muito possivelmente, não alcançaria os níveis mais avançados de uma língua estrangeira se tendesse a traduzir toda e qualquer expressão que lhe fosse apresentada.
NÃO SE ENCONTRA SENTIDO PARA CERTAS EXPRESSÕES DA LÍNGUA ESTRANGEIRA NO IDIOMA MATERNO.
Quando surgir uma dúvida em Inglês, analise-a em contextos diferentes até que ela seja assimilada no próprio idioma. Além da técnica de contextualização, precisa-se, muitas vezes, simplesmente aceitar certos termos e referências lingüísticas.
No vídeo fica claro que apesar de “merry” e “happy” significarem “feliz”, diz-se “Happy New Year”, e não “Merry New Year”.
Eddie Murphy: “Merry New Year”
Passenger(passageiro): “Happy New Year. In this country we say Happy New Year”
Aqui vai uma pequena seleção de fatos liguísticos que devem ser ‘aceitos’ sem resistência:
Vinho tinto e repolho roxo são, respectivamente ‘red wine’ e ‘red cabbage’ em Inglês. No entanto não seríamos compreendidos por um feirante aqui no Brasil se pedíssemos repolho vermelho.
Nosso galo faz ‘cocoricó’, enquanto em Inglês, a palavra onomatopaica usada é ‘cock-a-doodle-doo’.
Por alguma razão, dizemos “cama, mesa e banho”, sempre nesta ordem. O termo “coroca”, quase que exclusivamente acompanha “velha”, não dizemos menina coroca, por exemplo. Pousada em Inglês é “bed and breakfast”, também sempre nesta ordem.
O verbo ‘depender’ é acompanhado da preposição ‘de’ em ‘Ele depende de nós’. Em Inglês, o verbo ‘to depend’ é acompanhado não da preposição ‘of’, mas sim ‘on’.
Dessa forma, ‘a piece of cake’ é traduzido como ‘um pedaço de bolo’, e ‘He depends on us’, como ‘Ele depende de nós’. Aqui dá para notar que contexto é realmente peça chave para o entendimento de uma língua, já que não podemos tomar ‘of’ como exclusivo equivalente de ‘de’ em Inglês.
No campo das expressões idiomáticas, o processo de aceitação deve ser ainda maior. ‘Chutar o balde’, em Português, é uma expressão que significa ‘não pensar duas vezes, perder as estribeiras’. Já em Inglês, a tradução da expressão ‘to kick the bucket’(que traduzida ao pé da letra significa kick-chutar the-o bucket-balde) é ‘morrer’, e a expressão idiomática para ‘morrer’ em Português é ‘bater as botas’. Ufa!
‘John kicked the bucket last year’ significa ‘John morreu no ano passado’.
Uma expressão equivalente ao nosso ‘chutar o balde’ em Inglês, seria ‘to not think twice’, não pensar duas vezes. A tradução de ‘Ela chutou o balde, largou a família e foi para a Europa’ é: ‘She didn’t think twice, left her family and went to Europe’.
Agora é com você: empenhar-se em entender Inglês sem recorrer muito ao Português é fundamental. Convenções lingüísticas existem em todo idioma, os falantes de uma língua tomam certos termos e expressões como corretos, ou apropriados para determinadas situações e cabe a quem está aprendendo um novo idioma aceitá-las sem resistência. Pense nisso!
By the way (Por falar nisso)…
“To kick the bucket” significa ‘morrer’ em Inglês, mas de onde vem a associação entre chutar o balde e morte? No século XVI, essa expressão se aplicava somente à morte na forca. Esse tipo de morte era geralmente cometido por suicidas, que subiam no balde, colocavam a corda ao redor do pescoço e ‘kicked the bucket’, chutavam o balde. Com o tempo, a expressão passou a ser aplicada para qualquer tipo de morte.
